Em 1912 o empresário Jorge Street compra as terras do Cel.Fortunato Goulart ( o terreno ia do rio Tietê até a Av. Celso Garcia ) para dar inicio ao projeto de construção da Fábrica e da Vila Operária Maria Zélia.
A Vila foi projetada pelo arquiteto Paul Pedraurrieux, baseada nas cidades européias do início do século, como podemos notar pelo quadriculado de suas ruas e pela ornamentação de suas edificações.
Tratava-se de uma mini cidade: Capela, Jardins, duas Escolas (Meninos e de Meninas), creche, coreto, armazéns, ambulatório médico, dentista, açougue e salão de festas, que representavam um avanço para a política industrial da época.
Street chefiava a execução do projeto pessoalmente acreditava que " não ia construir nenhuma obra de caridade, mas sim uma obra de justiça e de direito social".
A Vila Maria Zélia passou por grandes transformações.
No ano de 1924 a Fábrica e a Vila foram vendidas, ficando em mãos da família Scarpa até 1928.É então rebatizada como Vila Scarpa.
Em 1929, como pagamento das hipotécas vencidas, o grupo Guinle toma posse da Vila, Restituindo-lhe o antigo nome: Vila Maria Zélia.
Devido as dívidas fiscais, a Vila passa para o IAPI (Atual INSS).
A Fábrica foi desativada aproximadamente em 1931; permanecendo assim até 1936 quando foi utilizada como Presídio Político pelo Estado Novo até 1937. Abrigava neste período cerca de 700 presos como: Caio Prado Jr., Quirino Pucca, Abdon Prado Lima, Fúlvio Abramo, Paulo Emilio Salles Gomes entre outros.
Intelectuais que na época transformaram o presídio em " Universidade Maria Zélia".
A Fábrica Maria Zélia, a creche e o jardim da infância foram compradas pela Goodyear no ano de 1939.
No período de 1939 a 1968 os moradores pagam aluguel ao IAPI. Em 1969, puderam comprar suas casas pelo sistema pelo sistema BNH.
Até 1979 a Vila que era totalmente particular, torna-se logradouro público.
Neste lugar que nos envolve num clima de "muita história para contar", ocorreram filmagens de comerciais, novelas e longas-metragens como: "O Corintiano" com Mazzaropi (1966), "Ravina" com Eliana Lage (1959), " No País dos Tenentes" (1987).
Em 09 de dezembro de 1992, os órgãos de preservação de nível Estadual e Municipal (CONDEPHAAT E CONPRESP) optaram por seu tombamento, em três níveis, englobando o traçado urbano, o conjunto de casas e vegetação de porte arbóreo.
Este local tem despertado o interesse de pesquisadores, resultando em importantes colaborações para o resgate histórico e entendimento do papel das Vilas Operárias.
Segundo a socióloga Eva Blay "não se pode falar em Vilas Operárias em São Paulo sem uma obrigatória referência à Vila Maria Zélia.... documento fundamental de uma época e de uma forma de ocupação do espaço urbano....".
O ano era 1917 e a obra considerada um empreendimento astronômico para a época.
O conjunto operário da Vila Maria Zélia incluía, casas, creche, escolas, farmácia, sapataria, armazém, restaurante, clube esportivo, igreja e até um salão de bailes.
Tudo porque os operários da Cia Nacional de Tecidos de Juta pudessem ter melhores condições de vida e moradia e é claro ficassem (e "dedicados") ao local de trabalho. O empresário Jorge Street estava á frente da empreitada que fazia parte do ínicio do desenvolvimento industrial paulista e é considerado por muitos como o pioneiro nas normas de relações trabalhistas.
Na Vila, parece uma viagem ao tempo no meio da movimentada e modificada Zona leste, uma ex-tecelã,Cinta Ramos Amanteo, que completaria seus 95 anos morou seus 78 anos na Vila Maria Zélia. É ela que nos contou a história deste lugar que já foi, na sua visão, um paraíso.
Ela nos contou que veio para a Vila em agosto de 1919, tinha 10 anos de idade, com sua mãe,seu pai,e nove irmãos.
Logo foi para a escola, ela e sua irmã de 7 anos de idade. Depois trabalhou na fábrica.
Para morar na Maria Zélia era necessário que as pessoas trabalhassem na fábrica de Juta, inclusive as crianças, disse Cinta.
As casas eram destinadas aos moradores de acordo com o tamanho de cada família e o aluguel descontado no pagamento."A sua casa custou na época 50 mil réis porque era grande.E ninguém podia dormir na sala, se ficasse alguém o fiscal vinha e mandava sair.Por isso tinha de ter a casa grande e todo mundo trabalhar na fábrica.
Mas não só de trabalho viviam os moradores da vila. As grandes festas, promovidas pela família Street, aconteciam no aniversário dos donos e no período natalino. A primeira festa foi no jardim da vila, mas não deu, não ficou bom.Depois foi na casa de campo de Jorge Street .
Ai foi uma festança, os bondes desciam a rua Catumbi vazios para pegar a gente,depois um outro bonde lá no Centro, onde moravam os ricos, que ia perto da casa. Quando eles viam a gente chegando tocava a banda de música.Tinha muita comida e as crianças ganhavam presentes. Eu lembro que daquela vez eu dancei o dia inteiro.
O futebol também tinha seu espaço garantido.Os uniformes eram doados pelo industrial e as peladas faziam parte das horas vagas dos moradores.
A vila ainda pode orgulhar-se de ter sediado o primeiro campo de várzea com iluminação noturna e arquibancada reservada à senhoras.

O Clube Atlético Recreativo Maria Zélia, sempre revelou jogadores notáveis que mais tarde saíram do C.A.R.Maria Zélia e foram jogar em diversos times grandes da capital, do interior de São Paulo e de outros estados do Brasil. O Maria Zélia na verdade foi um celeiro de craques da várzea paulistana. O sonho acabou em 1976 com a desapropiação do terreno onde se encontrava o campo e a sede do mesmo, uma grande perda para o nosso futebol, deixando assim de revelar futuros craques e perdendo um pouco do encanto do futebol de finais de semana da várzea paulistana.O Clube Atlético Recreativo Maria Zélia teve como destaque ser o primeiro clube da várzea paulistana a ter o campo com iluminação. clique na foto ao lado e saiba mais sobre este glorioso time da várzea.

Rua dos Prazeres, 362 -Cep: 03021-240 -Belenzinho-São Paulo-SP-Fone 2692-9791-E-mail savmz@uol.com.br
Resolução recomendada:1024x768© Copyright 2007